Mais brasileiros esperam alta da inflação, diz Datafolha

A expectativa de aumento da inflação atingiu em dezembro o maior patamar registrado no governo Jair Bolsonaro (sem partido) pelas pesquisas do Datafolha. Segundo o levantamento, 72% dos entrevistados afirmam que a inflação vai aumentar.

 

Em agosto de 2020, eram 67%. Naquele mês, a inflação em 12 meses medida pelo IPCA estava em 2,44%. Em novembro, chegou a 4,31%.

 

Em dezembro de 2019, pouco mais da metade dos entrevistados (52%) fazia essa avaliação, apesar da disparada nos preços naquele mês, principalmente, por causa do aumento no custo das carnes. Na pesquisa de abril do ano passado, foram 45% os que previam alta da inflação nos meses seguintes.

 

A parcela dos que esperam ver uma queda da inflação recuou de 17% em dezembro de 2019 para 11% em agosto de 2020 e para 10% na pesquisa mais recente. Os demais entrevistados dizem que a inflação ficará como está.

 

O Datafolha ouviu 2.016 pessoas por telefone entre os dias 8 e 10 deste mês. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

 

Expectativa

 

A percepção dos brasileiros está em linha com as projeções de mercado para os índices de preços durante o primeiro semestre de 2021.

 

Também reflete um momento em que o custo de alimentos e insumos à produção está em alta, por causa de fatores como falta de produtos, aumento de exportações e repasse cambial.

 

A expectativa dos economistas consultados pelo Banco Central é que o IPCA, índice de preços ao consumidor que serve como meta de inflação, deva passar dos atuais 4,31% (registrados em novembro) em 12 meses para algo próximo de 6% até maio de 2021. Depois, espera-se um recuo ao longo do segundo semestre do próximo ano, para 3,34%.

 

O Banco Central prevê inflação de 3,40% no final de 2021. O número está abaixo do centro da meta de 3,75%.

 

Outro indicador de inflação, o IGP-M, composto por preços no atacado, ao consumidor e da construção, está em patamar bem mais alto: subiu quase 25% nos últimos 12 meses.

 

Os preços de insumos que servem de base para a cadeia produtiva brasileira registram a maior alta desde o início do Plano Real, de quase 70%, segundo dados do FGV Ibre (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas) até outubro.

 

Alimentos acumulam alta no IPA (índice de preços no atacado da FGV) de 25%, sendo que metade desse aumento já bateu no IPC (índice de preços ao consumidor da FGV).

 

Produtos

 

O arroz, produto cuja alta provocou a reação por parte do governo, subiu quase 120% no atacado e 62% no varejo, o que mostra o risco de continuidade desses repasses.

 

A concentração da inflação em alimentos também faz com que o índice de preços seja sentido de maneira diferente pela população.

 

Segundo o Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), para famílias com renda domiciliar mensal menor que R$ 1.650,50, a inflação acumulada em 12 meses está em 5,80%. Entre as famílias com ganho maior que R$ 16.509,66, o indicador está em 2,69%.

 

Para o Banco Central, o choque inflacionário atual é temporário, mas o índice de preços poderá subir mais em caso de uma falta de confiança na sustentabilidade da dívida pública que resulte em desvalorização adicional do real, com impacto nos preços. Nesse caso, o IPCA subiria 6,4% em 2021, acima do limite de 5,25%.

 

Também foi analisada a situação de prolongamento da pandemia, em que as pessoas ficariam mais tempo em distanciamento social, o que contribuiria para reduzir a inflação a 2,4%.

 

A recuperação da economia e seus impactos sobre as projeções de inflação para os próximos anos devem levar o BC a elevar os juros no próximo ano ou no seguinte, de acordo com as projeções de mercado.

 

Fonte: Diário do Nordeste (Adaptado)

Por que o BC está monitorando de perto o impacto do ajuste de overhedge no câmbio neste final de ano.

Dólar cai mais 2% em Dezembro

No Brasil, o dólar caiu mais de 2% e voltou para a marca de R$ 5,05, em resposta à atuação do Banco Central (BC) no mercado de câmbio via leilão de contratos swaps cambiais. O discurso mais duro da autoridade monetária na condução da política monetária, visto no comunicado que explicou a decisão de ontem sobre a taxa Selic, também influencia os negócios com o dólar e mexe com o mercado de juros futuros, onde há queda forte das taxas de longo prazo e alta dos juros mais curtos.

 

Ontem, após o fechamento, o BC anunciou a venda de até 16 mil contratos de swap cambial em lote adicional – ou seja, não se trata de uma rolagem de contratos que vão vencer, mas sim uma adição de liquidez no sistema. Hoje, a oferta foi integralmente vendida ao mercado.

 

O alívio no câmbio se apoia ainda no tom mais duro adotado ontem pelo Comitê de Política Monetária (Copom) sobre os rumos da Selic, que foi mantida em 2% ao ano. A instituição sinalizou que pode retirar em breve o forward guidance – indicação de que não reduziria o estímulo monetário no futuro, contanto que algumas condições fossem satisfeitas. Com perspectiva de juros mais altos, aumenta a expectativa de fluxo para o país em busca de rendimentos.

 

“Esperávamos que o aperto começasse em agosto e a Selic terminaria 2021 com taxa de 3,75%. Agora nós ajustamos nossa projeção de normalização da Selic para meados de junho e a taxa no fim do ano de 4%”, dizem os analistas do UBS BB.

 

No mercado de juros, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2022 subia de 3,03% no ajuste anterior para 3,08%; a do DI para janeiro de 2023 avançava de 4,46% para 4,465%; a do contrato para janeiro de 2025 cedia de 6,11% para 6,05%; e a do DI para janeiro de 2027 recuava de 6,96% para 6,85%.

 

O desenho de uma curva menos inclinada já era vislumbrado por analistas desde ontem, quando o Copom divulgou o comunicado da última decisão do ano. O tom de mais aperto monetário do documento veio, essencialmente, com a indicação de que o “forward guidance” deve cair em breve, o que levou à avaliação de que um processo de normalização da política monetária pode ter início mais cedo do que o esperado por alguns participantes do mercado.

 

“Confesso que me surpreendeu o guidance sobre o ‘forward guidance’”’, diz Gustavo Arruda, economista-chefe do BNP Paribas Brasil. “Quando o BC avisa que, em algum momento isso vai deixar de existir, na prática ele já deixa. Você acabou de desfazer esse compromisso, mesmo que seja a termo. Assim, quando o ‘forward guidance’ for tirado passa a ser menos relevante”, avalia o economista.

 

Os sinais emitidos pelo Copom, inclusive, ajudaram a criar um ambiente propício para que o Tesouro fizesse o maior leilão de títulos públicos da história. Em termos de risco (dv01, métrica associada à variação das taxas de juros), a oferta de R$ 8,34 milhões foi totalmente aceita, com venda de 45 milhões de LTN e de 2,5 milhões de NTN-F. O Tesouro também aumentou a quantidade ofertada de LFT para até 1,5 milhão de papéis e vendeu 79,9% do total.

 

Fonte: Valor Globo (Adaptado)

Copom mantém taxa básica de juros da economia em 2% na última reunião do ano

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu por unanimidade nesta quarta-feira (9) manter a taxa básica de juros, a Selic, em 2% ao ano. Essa foi a última reunião do ano do Copom.

 

A taxa Selic segue então no menor patamar da série histórica. Essa foi a terceira vez seguida que o comitê decide manter a taxa de juros em 2% ao ano.

 

A definição da taxa de juros acontece em meio à alta dos preços. Em novembro, o IPCA, índice considerado a inflação oficial do país, somou 0,89%. Nos últimos doze meses até novembro, a inflação foi de 4,31%, acima do centro da meta de inflação para este ano, de 4%.

 

Nos últimos meses, a inflação tem disparado principalmente em razão do aumento dos preços dos alimentos. Segundo analistas, isso decorre da disparada do dólar, que incentivou os produtores a aumentarem as exportações, reduzindo, assim, a oferta de produtos no mercado interno, além do pagamento do auxílio emergencial pelo governo, o que estimulou o consumo.

 

Sobre a alta nos preços, o Copom informou em nota que as últimas leituras de inflação vieram acima do esperado e que, em dezembro, a inflação ainda deve se mostrar elevada.

 

O comitê, no entanto, mantém o diagnóstico de que os choques atuais de preços são temporários.

 

O Copom diz que, em breve, as condições para manutenção do “forward guidance” – a orientação futura, que indica a manutenção dos juros se respeitadas certas condições – podem não ser mais atendidas. Isso, segundo a nota, não implica em uma elevação imediata da taxa básica de juros, já que a economia ainda precisa de estímulos monetários.

 

“No cenário de retirada do ‘forward guidance’, a condução da política monetária seguirá o receituário do regime de metas para a inflação, baseado na análise da inflação prospectiva e de seu balanço de riscos”, informou o BC.

 

No comunicado, o Copom reafirmou a importância de manter o processo de reformas e ajustes da economia e ressaltou que “questionamentos sobre a continuidade das reformas e alterações de caráter permanente no processo de ajuste das contas públicas podem elevar a taxa de juros estrutural da economia”.

 

Como é tomada a decisão

 

O Copom fixa a taxa básica de juros com base no sistema de metas de inflação, olhando para o futuro. Isso porque as decisões demoram de seis a nove meses para terem impacto pleno na economia.

Neste ano, a meta central é de 4%, mas o IPCA pode oscilar de 2,5% a 5,5% sem que a meta seja formalmente descumprida.

 

Para 2021, ano no qual o BC passou a mirar as decisões, a meta central de inflação é de 3,75% e será oficialmente cumprida se o índice oscilar de 2,25% a 5,25%.

 

Embora a inflação esteja crescendo nos últimos meses, a previsão mais recente dos economistas de bancos é que o IPCA tenha caído 4,21% neste ano e 3,34% em 2021.

 

Com isso, a previsão é que a inflação ficará acima da meta central de 4% de 2020, mas ainda dentro do intervalo de tolerância e abaixo da meta central do ano que vem.

 

Alta dos juros em 2021

 

Na visão dos economistas dos bancos, a alta da inflação e a falta de clareza sobre o controle dos gastos públicos devem levar ao aumento da taxa de juros em 2021.

 

De acordo com pesquisa realizada pelo BC na semana passada, o mercado financeiro prevê manutenção da taxa Selic no atual patamar de 2% ao ano até julho de 2021.

 

A partir de agosto do ano que vem, entretanto, os economistas projetam o início do processo de alta da Selic. Pelas estimativas, a taxa avançaria para 2,25% ao ano em agosto de 2021, para 2,5% em setembro, para 2,75% ao ano em outubro e para 3% ao ano em dezembro do próximo ano.

 

Fonte: G1