Por que o BC está monitorando de perto o impacto do ajuste de overhedge no câmbio neste final de ano.

Copom mantém taxa básica de juros da economia em 2% na última reunião do ano

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu por unanimidade nesta quarta-feira (9) manter a taxa básica de juros, a Selic, em 2% ao ano. Essa foi a última reunião do ano do Copom.

 

A taxa Selic segue então no menor patamar da série histórica. Essa foi a terceira vez seguida que o comitê decide manter a taxa de juros em 2% ao ano.

 

A definição da taxa de juros acontece em meio à alta dos preços. Em novembro, o IPCA, índice considerado a inflação oficial do país, somou 0,89%. Nos últimos doze meses até novembro, a inflação foi de 4,31%, acima do centro da meta de inflação para este ano, de 4%.

 

Nos últimos meses, a inflação tem disparado principalmente em razão do aumento dos preços dos alimentos. Segundo analistas, isso decorre da disparada do dólar, que incentivou os produtores a aumentarem as exportações, reduzindo, assim, a oferta de produtos no mercado interno, além do pagamento do auxílio emergencial pelo governo, o que estimulou o consumo.

 

Sobre a alta nos preços, o Copom informou em nota que as últimas leituras de inflação vieram acima do esperado e que, em dezembro, a inflação ainda deve se mostrar elevada.

 

O comitê, no entanto, mantém o diagnóstico de que os choques atuais de preços são temporários.

 

O Copom diz que, em breve, as condições para manutenção do “forward guidance” – a orientação futura, que indica a manutenção dos juros se respeitadas certas condições – podem não ser mais atendidas. Isso, segundo a nota, não implica em uma elevação imediata da taxa básica de juros, já que a economia ainda precisa de estímulos monetários.

 

“No cenário de retirada do ‘forward guidance’, a condução da política monetária seguirá o receituário do regime de metas para a inflação, baseado na análise da inflação prospectiva e de seu balanço de riscos”, informou o BC.

 

No comunicado, o Copom reafirmou a importância de manter o processo de reformas e ajustes da economia e ressaltou que “questionamentos sobre a continuidade das reformas e alterações de caráter permanente no processo de ajuste das contas públicas podem elevar a taxa de juros estrutural da economia”.

 

Como é tomada a decisão

 

O Copom fixa a taxa básica de juros com base no sistema de metas de inflação, olhando para o futuro. Isso porque as decisões demoram de seis a nove meses para terem impacto pleno na economia.

Neste ano, a meta central é de 4%, mas o IPCA pode oscilar de 2,5% a 5,5% sem que a meta seja formalmente descumprida.

 

Para 2021, ano no qual o BC passou a mirar as decisões, a meta central de inflação é de 3,75% e será oficialmente cumprida se o índice oscilar de 2,25% a 5,25%.

 

Embora a inflação esteja crescendo nos últimos meses, a previsão mais recente dos economistas de bancos é que o IPCA tenha caído 4,21% neste ano e 3,34% em 2021.

 

Com isso, a previsão é que a inflação ficará acima da meta central de 4% de 2020, mas ainda dentro do intervalo de tolerância e abaixo da meta central do ano que vem.

 

Alta dos juros em 2021

 

Na visão dos economistas dos bancos, a alta da inflação e a falta de clareza sobre o controle dos gastos públicos devem levar ao aumento da taxa de juros em 2021.

 

De acordo com pesquisa realizada pelo BC na semana passada, o mercado financeiro prevê manutenção da taxa Selic no atual patamar de 2% ao ano até julho de 2021.

 

A partir de agosto do ano que vem, entretanto, os economistas projetam o início do processo de alta da Selic. Pelas estimativas, a taxa avançaria para 2,25% ao ano em agosto de 2021, para 2,5% em setembro, para 2,75% ao ano em outubro e para 3% ao ano em dezembro do próximo ano.

 

Fonte: G1